sábado, 18 de julho de 2009

Time is an ocean of endless tears



Pegue uma notícia antiga de jornal, como a prisão de um jovem porto riquenho após uma briga de rua em NYC que terminou com a morte de outro jovem, branco no caso. Contextualize. Situe data, local e ambiente. Crie personagens, enredo, falas. Imagine uma trilha sonora. Não, melhor: componha uma. Você é capaz? Talvez muitos sejam, mas da forma que Paul Simon fez em 1997 em seu disco, trilha sonora para a peça "Songs From The Capeman", eu duvide-o-dó.

Que Paul Simon é um excelente contador de histórias e um músico extraordinário talvez você já saiba. Caso contrário, procure ouvir este disco. Há uma enorme musicalidade aqui, a serviço de um roteiro interessante, mas que acaba ficando em plano secundário. Os temas musicais se sucedem, variando ritmos, arranjos, cantores de uma forma absolutamente coesa e irresistível. Algumas vozes diferentes ajudam a compor a informação. Paul não se omite e coloca também suas opiniões, muitas vezes, na boca de seus personagens.

Há os policiais de fronteira, os jornalistas, os chefes de gangue, as mães da vítima e do assassino, os guardas de prisão. Versos como "A spanish boy could be killed every night of the week, but just let some white boy die and the world goes crazy for blood-Latin blood" permeiam todo o texto.

A peça não fez sucesso, nem o disco. O que, no caso, pouco importa. O registro das músicas, a combinação de ritmos latinos, doo-woop e de classic rock é feita de maneira tão virtuosa que crítica alguma pode desmerecer o trabalho de Paul Simon, um dos melhores em sua longa e talentosa carreira.

Não deixe de ouvir.

11 comentários:

Octaner disse...

Boa Júlio...
Nunca tinha ouvido falar deste disco, e quando ouço, ainda vem com o comentário e suas opiniões...
Aplausos efusivos e aguardando novo posts

di disse...

Boa idéia, Julim. Esse blog vai bombar. Fera do jeito que você é nesses assuntos musicais só pode mesmo ter muito sucesso. Manda ver, garoto.

Priscila e Sandra disse...

vou atrás do cd. obrigada. sempre brindando a gente com a melhor música, né? e parabéns pelo blog, vou ficar fã. beijos!

Dário disse...

Não... Não vou ouvir esse disco. Eu gostava do Paul Simon quando ele cantava com o Garfunkel, e não tô com vontade de ouvir esse disco.
Vc não vai ficar bravo por isso, né ?! :))))))))))))))
Beijão !!!

lantonio disse...

Quem é Paul Simon?? É aquele cara do grupo Uludun que tocava pandeiro?

Toke disse...

Seguindo os teus conselhos de olhos bem fechados. Certo de belos achados, sim, sim...
Abração,
Toke
Luanda-Angola

Adriano Mussolin disse...

Lembro-me de ter ouvido esse disco à época de seu lançamento e de não ter gostado. Sou grande admirador de Paul Simon. Vou repuvi-lo agora. Quem sabe o passar dos anos, o amadurecimento natural e sua crítica positiva mudem minha visão.
Valeu!!!
Parabéns pelo blog!

joolyn disse...

Hey, comentadores!

Obrigado pelas gentis palavras.
Se alguém tiver dificuldade para encontrar o disco comentado deixe-me saber através de mensagem particular. Prometo que envio uma cópia em k-7 do meu disco original ...

[ ]'s
J.

José Carlos disse...

Não vou comentar, vou procurar ouvir. Eu e você sabemos como isso começa e sabemos como acaba (calma! já vou dizer: uma pilha de cds do Paul S. aguardando a vez).
Joe, your borther in arms

Dário disse...

Vc me faz um favor ? Avisa aquele tal de lantonio que o grupo de umbanda chama Olodum e não Uludum ?!

Valeu. Beijo !

scomert !

Fábio Borges disse...

Já tinha lido essa resenha assim que você publicou, reli agora e tive o mesmo prazer que da primeira vez, mesmo sem conhecer o disco... Imagina o que vou fazer agora? Uma oração a São Soulseek! hehehehe. Mais uma vez, parabéns joolyn! Você, como sempre, nos presenteando com belas surpresas sonoras. Grande abraço!